Sobre mim
Sou nascido e criado em uma cidade da região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil. A vida toda, com pequena exceção, morei em apartamentos.
Minha infância foi brincando no pátio do condomínio de prédios de classe média onde morava com meus pais e irmão mais velho, até que pude mexer no computador de meu pai. Com o tempo, passava mais e mais tempo no computador, até que ele passou a ser o motivo de eu negar encontrar meus amigos que interfonavam. Eu era ruim em qualquer atividade que envolvia movimento, mas parecia ser bom nos jogos online. Ao menos me sentia bem mais capaz.
Com os jogos, eu aprendi inglês, de algum jeito. Foi natural, não sei dizer qual o tipo de exposição ou ação da minha parte teria tornado o processo eficiente, mas com 14 anos eu já me virava bem na leitura e escrita e mais tarde um pouco já me sentia tranquilo falando com estrangeiros por microfone. Quando não jogava com estranhos de outras partes do mundo ou algum dos poucos amigos da escola, estava em algum jogo pirata de sobrevivência contra a natureza ou contra algum tipo de condição apocalíptica, muitas vezes envolvendo zumbis – tema que passou a me seguir em sonhos na vida adulta. De vez em quando, eu ainda sonho que estou lutando pela minha vida com criaturas animadas e raivosas em estágio de decomposição avançado.
Por gostar de música distorcida e ter um fascínio pouco compreendido pela morte e a persistência da vida, acabei me envolvendo com o fazer música e dediquei muito do meu tempo a tentar fazer uma banda de adolescentes ser reconhecida no underground local. Quis entender como comunicar, publicizar conteúdo nas redes sociais e até cheguei a atuar um tempo organizando pequenos eventos insalubres. Por sorte, esse hiper-foco me tirou do uso abusivo de computador por bons momentos e, ironicamente, foi o que me impediu de ver mais cedo a programação como uma área profissional de interesse.
Os detalhes sórdidos estão guardados para quem puder estar comigo à beira de uma fogueira – são muitos.
Pulando para o passado recente: em 2021, tive contato com conteúdos sobre a crise climática e filosofias radicais de base ecológica.
Agora, enquanto escrevia, fiz uma incursão pelo histórico de atividade do YouTube. Não consegui achar o ponto exato em que isso me levou a conhecer agrofloresta e permacultura. O primeiro registro óbvio que encontrei foi em fevereiro de 2023, onde pesquisei explicitamente por "agrofloresta na mata atlântica". Não encontrei algum vídeo antes disso que justificasse os termos. Mas também, um dos primeiros canais de agrofloresta que conheci, senão o primeiro, do Antônio Gomides, foi excluído, com um acervo incrível desaparecendo junto dele.
Em uma incursão seguinte, pelo histórico de atividade do Instagram, consegui achar uma curtida em um post sobre agrofloresta tão antiga quanto março de 2020, no perfil da Ecoar Agrofloresta. Eu tenho a impressão de que conheci agrofloresta durante a pandemia, mas não sei dizer exatamente quando ela se tornou uma... pequena obsessão.
Foi no final de 2021 que decidi transicionar da área do Jornalismo – minha graduação em andamento – para a programação, depois de participar de um evento de inovação social da universidade onde minha equipe imaginou um aplicativo que unia consumidores conscientes com agricultores agroecológicos.
Ninguém da equipe quis tentar continuar o projeto e eu decidi aprender a programar sozinho. O aplicativo nunca surgiu, mas a carreira foi alterada.
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Conforme eu estudava mais sobre agroecologia, permacultura e ética ecológica, menos eu conseguia me imaginar trabalhando no mundo corporativo. Assim, fui rascunhando um plano de fuga. Fiz contas, discuti sonhos e vontades com minha companheira, Gabrielle, e defini o foco, a meta e o cenário futuro de vida que eu espero criar.
As etapas do plano foram acelarada devido à catástrofe climática que acometeu o Rio Grande do Sul em 2024. As enchentes mostraram o quão vulneráveis eu e minha família estávamos por morar e depender exclusivamente da infraestrutura de cidades grandes.
O apartamento em que morávamos ficou 15 dias sem abastecimento de água. O limite foi chegar no mercado e encontrar vazias as prateleiras de água mineral, exceto por alguns fardos de 500ml de água com gás. Eu não gostava de água com gás – até ali.
A maioria dos acessos à Porto Alegre ficaram bloqueados. A ida até a casa de meus pais, que geralmente leva 40 minutos, levou 4 horas, sendo necessário fazer uma volta muito mais longa, com uma fila interminável de outros veículos também tentando sair da capital. O famoso "cenário de guerra".
Passada essa experiência, passei a avaliar a ideia de compra de uma terra rural o quanto antes, para evitar que os preços de imóveis – já altos no RS – aumentassem ainda mais devido à pressão imobiliária advinda das amplas áreas condenadas a (cada vez mais) enchentes.
Com critérios guiados pelo meu Contexto Holístico, apoiado por muito do trabalho do Eurico Vianna, encontramos um lugar no Morro da Borússia, área de encosta da Serra, já próximo ao mar, pertencente à cidade litorânea de Osório, no RS.
O lugar conseguiu passar em todos os critérios climáticos, geográficos, de infraestrutura pré-existente e potencial de uso que eu listei, excetuando um critério: estar a menos de 1h de viagem de Porto Alegre.
Não consegui um lugar sequer parecido numa região mais próxima, então abri mão do critério. Estamos vivenciando o impacto da distância, e certamente terei uma avaliação sobre isso daqui um tempo.
Os objetivos atuais são:
- Tornar o sítio um laboratório para estudo de práticas agroecológicas no contexto de Mata Atlântica no RS
- Implementar no sítio sistemas de segurança alimentar, hídrica e energética com base ecológica
- Atingir meta de patrimônio e investimentos em até 5 anos de trabalho corporativo
- Explorar criativamente produtos e serviços com base no território para produzir renda autônoma