o cusco

Bananeira (Musa sp.)

Musa sp.

A bananeira é uma entidade adorada no meio agroflorestal. Parece unânime, quando surfamos entre uma centena de vídeos do tema, o carinho e devoção que as pessoas agroflorestoras têm por essa planta.

É um vegetal curioso. Daqueles de uso mais frequente, talvez esse seja o mais estruturalmente exótico.

Nativas do sudeste asiático, as cultivares que temos para alimentação hoje são, na verdade, uma infinidade de "clones". As bananeiras soltam uma inflorescência que dá origem aos cachos, e ainda que vejamos pontinhos residuais pretos na parte polpuda da fruta, elas não tem mais sementes funcionais.

A multiplicação da bananeira se dá pelo corte físico de uma brotação, dividindo o caule real — o rizoma — que se espalha por baixo da terra. É esse caule subterrâneo que lança pro céu uma quantidade definida de folhas, cuja estrutura sobreposta assemelha-se a um caule que estamos mais acostumados a identificar. Porém, um talho de facão já nos ensina que há boa diferença entre um caule lenhoso de árvore e esse pseudocaule.

As bananeiras são excelentes plantas de serviço por produzir uma boa quantidade de biomassa verde com alta quantidade de água, que é depositada lentamente ao ser posta como cobertura de solo após as podas. São consideradas ótimas mães para plantas mais sensíveis ao Sol, pelo sombreamento gentil que produzem. Dependendo a variedade, podem ter 4 metros de altura, o que dificulta um pouco o manejo e colheita, como tive o prazer de atestar.

Entre os fatos geralmente surpreendentes pra todos os amigos urbanos com quem conversei está o de que cada pseudocaule de bananeira lança apenas um cacho e então apodrece e morre. Ao morrer, já haverá uma brotação grande ao lado e talvez uma pequena mais adiante (se deixado sem manejo, podem ser inúmeras brotações ao redor), então o tempo de novos cachos é reduzido — do plantio de um corte ao primeiro cacho são quase dois anos. Dois anos. Pensa... dois anos inteiros de vida para colher a primeira banana de um plantio. O tempo da natureza é outro — muito diferente do tempo da megacidade.

Cultivares

As mais comuns são Terra, Caturra, Prata, Nanica, Maçã, Ouro. Ainda que eu costume saber identificar o fruto entre Terra, Caturra e Prata, ainda não tenho certeza quais os cultivares que tenho plantado.

Categorias

Não há verdade absoluta aqui, nem essas categorias são padronizadas tecnicamente. Mas vamos a algumas classes úteis:

Propriedade Categoria
Estrato Médio-Alto
Sucessão Secundária II
Altura 2 a 4 metros
Biomassa Abundante
Uso Serviço, Alimento
Manejo Difícil
Plantio Difícil

Estrato

As bananeiras gostam de Sol, mas ficam bem (e às vezes melhor) com algum sombreamento. Dentro do que encontrei, são consideradas médio ou alto na exigência de Sol.

Sucessão

Vi categorizada como Secundária e Secundária II. Como a produção do primeiro cacho se dá depois de um ano e meio, as placentas já foram colhidas e a bananeira estará com uma capacidade de sombreamento talvez ainda pequena. Conforme mais brotações se desenvolvem, talvez a partir do segundo ano, ela pode ou ser o carro-chefe, para colheita de fruto — ou ser mantida com poucas brotações e poda constante apenas para alimentar as plantas principais da linha e fornecer cortes do rizoma para novas áreas de plantio.

Plantio e Manejo

Bananeiras são plantadas a partir de seções do rizoma com um ponto de brotação lateral e um pouco de raízes. O plantio é feito idealmente com o ponto de brotação voltado para baixo (plantando bananeira, sabe?), de modo que as folhas precisem circundar o rizoma em busca do céu, aumentando a estabilidade geral da planta.

Para o manejo, a bananeira aceita poda e volta a lançar folhas até o fim da vida daquele pseudocaule. Quando com objetivo de colher bons cachos, o ideal é não permitir que muitos filhos existam – a técnica "vó, mãe, filha" instrui a deixar aquela com o cacho, uma brotação maior sadia dela e uma brotação da filha, removendo todas as outras brotações para que não haja competição entre elas pelos mesmos recursos.

O pseudocaule podado idealmente deve ser divido ao meio e posto com o interior voltado para a terra, para que decomponha liberando água e nutrientes.

Recursos

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