o cusco

Tenteando: Plantio de Inverno

A amoreira de árvore (Morus nigra) é uma excelente planta de serviço, produtora de muita biomassa, perene, enquanto também é uma das minhas berries favoritas (mulberry). Rústica, a planta consegue, em teoria, brotar facilmente de estacas apenas cravadas no chão. Segundo li, agora no inverno é o melhor momento para retirar as estacas e fazer uma poda de limpeza nela.

Eu testei plantar algumas estacas nas linhas do pomar agora na metade de junho. Temos uma matriz esquisita no sítio, que parece ter recebido uma talhadia - não identifiquei um tronco principal, vejo apenas brotações que formam perímetros verticais, como de uma esfera imaginária.

Não fiz grande esforço. Escolhi estacas com ao menos 30cm e a finura de um lápis, mas indo até 60cm e a largura de uma caneta marca-texto. Afofei a terra com enxada e não lembro se cheguei a jogar algum composto, mas imagino que se o fiz, não foi em todas. Coloquei um pouco de palhada fazendo um pequeno ninho, até para ficar mais fácil de ver, e adeus. Foram plantadas em pares.

Temo que as estacas menores e mais finas não vão resistir ao rigor do inverno e às geadas, mas acredito no potencial das que ficaram mais grossas. A princípio, não devo ver nenhum progresso até o fim do inverno, quando ela deixar a dormência e voltar o crescimento vegetativo.

Esses plantios acompanharam a inserção de uma muda de Limão-Siciliano (ao lado do que parece uma frutífera que morreu no pomar) e uma muda de Romã, mais ao topo norte do pomar. As amoreiras entraram em algumas brechas para fornecer matéria orgânica (e outras estacas!), mas, antes disso, para me ensinar o quanto esforço preciso dedicar para as reproduzir.

Se forem todas um sucesso, posso dedicar ainda menos trabalho. Se só algumas forem bem-sucedidas, "quais"? Se nenhuma... aí não adianta eu tentar trazer de uma matriz melhor (como a nossa amoreira favorita de Novo Hamburgo) se for para errar do mesmo jeito.

Plantamos mudas de manjericão, erva-cidreira, poejo, maracujá-doce, lágrimas-de-cristo, manacá-da-serra, jasmim-arbustiva e algumas mudinhas de bandeja de rúcula e alho-poró.

Duas semanas depois, em nova visita ao sítio, levei 10 mudas de erva-mate, quatro de canafístula e quatro de angico-vermelho. Foram mudas que consegui por oportunidade em uma compra coletiva mobilizada pelo Coletivo Catarse e cuja retirada deu-se na Comuna do Arvoredo no Centro Histórico de Porto Alegre. Quando a oportunidade se une à ansiedade, já viu.

No domingo anterior, já com as pequenas mudas definhando no apartamento, estávamos tomando um mate e caminhando entre as casas da vizinhança em Porto Alegre, vendo as plantas, novas e antigas, que se destacavam. Atrás de uma grade metálica pintada de amarelo, uma casa bonita e antiga tinha, na pequena faixa de gramado comprida em frente, algumas plantas ornamentais se sobrepondo.

Uma erva espinhenta chamou minha atenção, com uma pequena inflorescência recém brotada, semelhante a um morango. "Isso aqui não é uma framboesa-silvestre?", perguntei à Gabi. "Parece", ela disse.


Um ano atrás, mais ou menos, estivemos em um curso de introdução à destilação de óleos essenciais ministrado pela Pips no Sítio Bandeira Branca, em Maquiné, RS. Foi lá que conheci a framboesa-silvestre. Foi o Vicente, Vico, que, de passagem por uma grande touceira que tomava conta de uma área, me apresentou a ela.

Depois, encontrei a espécie mais uma vez numa beira de mata, na volta de alguma viagem pra esses mesmos lados de Maquiné ou até do Caraá, onde visitei um par de vezes o sítio em que o Eurico Vianna estava criando ovelhas crioulas à pasto e sal mineral. Parei o carro para colher uns frutos e levar no bolso até em casa. Foi uma péssima ideia.

De algum modo, essa fruta me conecta com esses espaços e personagens.


Num recuperar de consciência, vemos uma mulher sair de dentro da casa, de pijamas, com um pequeno cachorro. A Gabi tem o tino de elogiar o jardim e passamos a conversar um pouco. Descobrimos detalhes demais sobre os vizinhos e os pais idosos dela e ganhamos duas mudas da framboesa-silvestre. Essas mudas foram juntas para o plantio de junho.

Planejamento

Tentei em uma semana ir do abstrato ao específico – dos objetivos e vontades amplas à posição de cada planta – para ver como faria com essas mudas que tinha. Revi aulas de cursos, vídeos do CEPEAS e uma infinidade de vídeos longos do Byron, pesquisei espécies e revi uma planilha que eu tinha começado a montar um tempo atrás, além de investigar vídeos sobre experiências de produção de citros sombreados no RS.

Eu já tenho um bom trabalho de análise pessoal, em um Contexto Holístico, e já havia pensado um pouco sobre cada área do sítio enquanto as observava. Não foi difícil fazer um plano para as mudas de erva-mate tanto quanto foi para saber onde alocar as leguminosas nativas.

Eu não conheço o comportamento (ou hábito) dessas plantas, menos ainda como se comportam no contexto do sítio. O quão rápido crescem? Vão sombrear quanto? O quão bem respondem a podas? O quão bem farão aos citrinos? Vão prejudicar o pessegueiro ou a ameixeira? Sei lá.

Eu tinha pequenas mudas em mãos e um pomar sem floresta, um vassoural em formação, uma área de pedras expostas, íngrime e com mais espaço livre, e uma área mais baixa, possivelmente mais úmida e sombreada sob uma goiabeira.

Decidi montar um documento de descrição das áreas e de rascunho sobre o uso delas. Um projeto simples para ser incrementado conforme eu for me envolvendo com o território.

Obrigar-me a descrever o contexto geral, descrever cada área e abordar minhas intenções certamente foi um facilitador para a tomada de decisão e já encaminhou muito do direcionamento que vou dar para o plantio de primavera.

Usei o drone de um colega de trabalho para fazer umas imagens aéreas (ruins por sinal, não soube pilotar e havia apenas uma bateria) e usei um software básico para rabiscar em cima, imaginando a ocupação do espaço pelas árvores. Pensei principalmente em não sombrear demais o pomar e tentar proteger um pouco mais as plantas no auge do verão, portanto, posicionando a árvore na linha e evitando deixar muito ao Norte.

Além das mudas, eu tinha também 5kg de sementes de adubo verde de inverno comprados pela Shopee (especificadas como: "Aveia - Trigo Mourisco – Ervilhaca – Nabo Forrageiro"), que pretendia lançar na entrelinha do pomar e na área de baixada.

(fotos em breve)

Execução

Aqui tem um vídeo do dia.

O que eu planejei foi modificado pela realidade de estar no local executando. Os 5kg do mix de sementes renderam um lanço desorientado: não sei se foi denso demais ou esparso demais; não sei se deixei área descoberta; e não sei se a indicação que vi de lançar por cima do mato espontâneo e grama é adequada.

Sobrou sementes depois de eu considerar a área de baixada plenamente coberta; então fui para as entrelinhas do pomar, onde depois de semear duas entrelinhas considerei pouca semente para tudo. Passei a semear bem adensado nas linhas restantes, para ao menos gerar boa matéria orgânica junto às árvores do pomar.

Disso, sobrou mais uns punhados de semente. Resolvi jogar sobre uma área de terra exposta, onde havia aipim antigo plantado (que permiti ao vizinho colher para dar aos animais).

Enfim, ao meu lado estava apenas a previsão do tempo. Semeei 24h antes da chuva chegar, e durante a semana seguinte houve oscilação entre Sol, nuvens e mais chuva.

Era tão trabalhoso cavar os berços para cada muda e eu só tinha algumas horas de luz solar para trabalhar que eu não tive energia para me dedicar ao processo. Foquei em afofar bem a terra das áreas notavelmente mais férteis e em corrigir nas áreas mais duras com um pouco de composto orgânico. Nada elaborado.

Como a Gabi sugeriu colocar as framboesas-silvestres próximas à taipa de pedra de divisa do terreno – um local que realmente parece apropriado –, e como eu não teria força para pegar mais estacas de amora e afofar berços para elas, não segui o plano que havia feito para essa área de pedras expostas. As duas canafístulas foram plantadas para formar o "portal", e só.

Consegui ainda, antes da claridade sair totalmente, derrubar uma bananeira, picar o pseudocaule e distribuir nos pés das mudas de erva-mate da área do vassoural. A escuridão tomou conta comigo ainda lá, e guardei as ferramentas com apoio da lanterna do celular.

Resultados

Ainda não tenho resultado parcial do feito. Quando tiver alguma informação, adiciono aqui ou em uma publicação própria (que será referenciada com link).

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