Agrofloresta paisagística
Hoje me surgiu um estalo de que em situações onde não ligamos para um retorno em frutas em uma agrofloresta, e o foco é melífero ou madeireiro, podemos pensar as espécies e espaçamentos não só limitados pelas características desejáveis do grupo sucessional e estrato, mas também por fatores ornamentais como a coloração e época de floração.
Se usarmos esses dois outros critérios filtrantes podemos ter arranjos (majoritariamente no estrato alto) em que o padrão cíclico de inserção (ou preservação, caso a definição do espaço se dê pelo raleamento) de uma espécie de determinada época e cor de floração forme uma cobertura monocromática ou de um grupo combinante de cores específicas durante aquele período, tornando o ambiente um "show de luzes" ao longo do ano.
Essa ideia, que é tão simples, mas só me caiu a ficha agora, surgiu por eu ter começado a estudar como cobrir de árvores um caminho reto que sobe o terreno pela lateral. O acesso possivelmente foi pensado para tratores, pois dá caminho até os fundos onde haviam culturas de roça no passado.
A ideia de um corredor de árvores de ciclo longo me fez pensar naqueles túneis verdes fascinantes, e logo me pus a pensar em como ficaria caso florido. Inicialmente imaginei muitas florações conjuntas, de várias cores, mas — acredito que por estar desenvolvendo melhor a imaginação temporal — notei que isso talvez não aconteceria, e seriam apenas algumas florações simultâneas.
Como consequência, imaginei aquelas florações monocromáticas que causam uma sensação de grandiosidade divina (apesar de racionalizarmos depois que isso sugere monocultura, ainda que não a obrigue). Passei a pensar em como a diversidade das espécies intercaladas poderiam mover o padrão de floração e modificar as cores do corredor conforme o momento do ano, caso a seleção fosse crieteriosa para evitar vazios longos e períodos de muita floração sincronizada.