o cusco

Tenteando: manejo de bananeiras

Se eu fosse pensar numa produção autossuficiente de alimentos que sustentasse meus melhores hábitos, certamente eu precisaria de bananeiras e mamoeiros.

Há alguns anos, com exceções, meu desjejum é um picado de mamão e banana no kefir de leite. Algumas vezes com granola caseira ou sucrilhos, outras com algumas frutas a mais, geralmente com chia e um pouco de farelo de aveia. Essa mistura sempre me anima – eu realmente gosto.

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Ainda que eu tivesse bananeira e mamoeiro à rodo, isso não significaria que meu café da manhã poderia se manter o mesmo de forma homogênea durante o ano. Até onde sei, mamoeiro só frutifica na metade mais quente do ano aqui no Sul. É uma fruta sazonal.

Sobre a banana, eu não realmente sei. Suponho que dê frutos o ano todo. Não imagino as brotações parando seu desenvolvimento ou deixando de jogar o pendão. Mas o que eu imagino, ou não, pouco importa. Logo mais eu descubro.

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Quando chegamos em nossa terra, já provida de morada e pomar novo, uma das coisas que me prendeu os olhos foi a linha de bananeiras que ladeava a casa e fazia marca pro fim da área de frutíferas, servindo, talvez, de borda inferior. Era coisa de oito ou dez núcleos espaçados a cada dois metros, mais ou menos. Cada núcleo tinha ao menos vó, mãe, filha e neta. Se duvidar, arrodeava mais umas parentes. Todas as folhas que já haviam secado pendiam dos pseudo-caules, quando não estavam cruzando entre eles, presas nas folhas verdes que se abriam.

De pronto, vi que três dos núcleos tinham bananeiras bem menores: coisa de dois metros apenas. As outras, mais chegadas à casa, eram enormes. Entendi o que significa dizer que alguma variedade de bananeira pode chegar a 4 metros de altura.

A bananeira é uma entidade adorada no meio agroflorestal. Parece unânime, quando surfamos entre uma centena de vídeos do tema, o carinho e devoção que as pessoas agroflorestoras têm por essa planta. É um vegetal curioso. Daqueles de uso mais frequente, talvez esse seja o mais estruturalmente exótico.

Desde que chegamos, não tive muito tempo para dedicar às áreas externas. Colocar a casa nos eixos foi uma prioridade máxima e isso envolveu resolver a visita de morcegos na sala e a falta de abastecimento d'água, que tomaram nosso tempo restrito de final de semana. Com isso, a limpeza e organização da matéria orgânica que acumulava nas bananeiras foi adiada até há pouco.

Quando decidi que colheria o belíssimo cacho que despontava de uma das bananeiras gigantes, me pus frente à majestosa planta e me vi — em minha pequenez — subjugado por muito. Precisaria de uma escada pra alcançar a penca, e, certamente, me veria de paleta no chão abraçado nos sabe-se lá quantos quilos de cachos depois de passar o facão no pendão que os prende. Recuei, em estratégia. Deixei para a semana seguinte, quando receberia visitas.

No domingo seguinte, os colegas de trabalho e suas companhias vieram para o sítio. Convidei quem quisesse ver a colheita de banana a me seguir. Fomos em três, e, com uma ajuda de condução de queda e um apoio moral, derrubamos a bananeira.

Apesar de a casca externa do pseudo-caule ser macia, o meio era extremamente fibroso. Foi necessário apoiar e pressionar o facão de ponta algumas vezes com o corpo para separar as partes junto à base e derrubar a planta. Esforço do tipo que nos faz pensar que não dá pra derrubar várias num só dia.

A penca de banana foi elencada como apta à colheita por já estar com as bananas arredondadas, sem cantos agudos ao redor da casca. Pendurei-a em uma tora do galpão por um arame atravessado no talo e a cobri com uma sacola de lixo, furada na outra extremidade. Apenas na semana seguinte verifiquei novamente e uma única banana mostrava uma primeira cor amarelada. Decidimos, então, levar para o apartamento na cidade. Com dois dias pendurada ensacada no apartamento, todos os 4,1kg de banana ficaram maduros juntos — ops.

Vivenciei, pela primeira vez, o "problema bom": abundância. Precisei distribuir entre vizinhos, colegas de trabalho e congelar um pouco, além do que comemos na semana.

Não sei qual é a variedade dessa banana que colhi. Achei que era Prata, pelo formato, mas a casca é super fina, o sabor era doce mas com um toque fermentado, mesmo não estando excessivamente madura. E eu senti uma textura levemente farinhenta, pouca coisa, mas me chamou atenção, ao comparar com a Prata orgânica do mercado.

Se souberes, me avisa.

Não tive tempo a dedicar para cortar o pseudo-caule em partes e melhor distribuir a adubação e umidade, acabei por deixar ali ao lado. Idealmente, cortaria que nem lenha e colocaria metades voltadas pra baixo, no pé das árvores. As folhas, colocaria também como cobertura de solo.

Na próxima ida, devo colher outra penca. Vou tentar controlar o tempo de amadurecimento por cacho. Seria o ideal, para ter um por semana.

#crônicas #experiências #histórias